Um sentimento de impotência


Há um bom motivo para este título: é o sentimento do cidadão que procura agir corretamente em tudo o que faz, em especial no trânsito, e recebe uma multa onde a infração é apontada como “veículo sem equipamento obrigatório”.

Ciente da preocupação que tenho, sempre, com a revisão do meu carro, fui procurar uma foto ou comprovante que mostrasse onde eu havia afrontado o código de trânsito.

Não havia nada, a não ser a descrição burocrática do pretensamente acontecido, feito pelo DAER/RS. Para minha surpresa, em Dom Pedrito, lugar que não visitei recentemente. Nem nunca em minha vida.

Horário: 11h55min. Procurei recordar por onde andava naquele dia e só pude lembrar que, neste horário, estava esperando ser chamado para o almoço. Portanto, não há, em lugar algum, registro que mostre, por exemplo, que estava trabalhando.

Procurei aconselhamento com dois especialistas da área que foram categóricos: sem um comprovante efetivo do tipo registro eletrônico ou de um profissional que possa assegurar que naquele horário prestara serviço em meu carro, nada feito. Não adiantava nem dizer que dei aula naquele final de tarde, havia tempo suficiente para ter voltado de Dom Pedrito.

Fica uma sensação de impotência: não há o que fazer diante de uma situação colocada pelo estado que exige do cidadão que ele prove não ser o culpado, invertendo a máxima de que “todos são inocentes até que se prove o contrário”.

Em final de agosto, estive em Caxias do Sul assessorando um encontro de comunicação. Voltando a Porto Alegre, numa bela manhã de domingo, fui premiado, alguns dias depois, com uma multa por estar dirigindo acima da velocidade permitida. Mas, neste caso, embora não concorde com o limite de velocidade, havia um comprovante: leitura do equipamento eletrônico e uma foto da chapa do meu carro.

Não tenho como escapar da multa. Pensei em interpor recurso, mas a pergunta era sempre a mesma: com que argumentação? Para mim seria suficiente dizer: eu estava em casa, almoçando com meus pais! Mas, para esta máquina voraz não é o suficiente.

Meu sonho é ainda viver num estado que trate bem o cidadão: com a dignidade de não ter que explicar o inexplicável.