Um vôo para a liberdade


O governo federal anunciou um programa que cria presídios onde serão mantidos jovens, na faixa entre 18 e 24 anos, que tenham contas a acertar com a sociedade. Um deles será no Rio Grande do Sul. Mesmo cabreiros, como temos ficado com promessas da administração Lula – quase sempre bem intencionadas, de teor “altamente revolucionário”, mas que são incapazes de sair da teoria – esta é uma idéia que merece atenção.

Claro que o problema com jovens em situação de risco é anterior a este momento em que, já iniciados na delinqüência, deixam os programas de ressocialização em ambientes apropriados, para serem jogados nas prisões - autênticas universidades do crime. A ser cumprido o que foi anunciado, seriam espaços adequados para que acertem suas pendências legais, mas com duas obrigações: o trabalho e o estudo. Sendo verdade: perfeito. Os ambientes que temos hoje, pelo excesso de lotação e falta de ocupação nos cárceres, propicia muito tempo para pensar, ouvir e trocar idéias a respeito do que deu errado nos crimes anteriores.

A ociosidade é, em qualquer ambiente, a inspiração para o erro, já que trabalhar não faz mal a ninguém. Bem pelo contrário, mantém o corpo em movimento, a mente concentrada e estabelece vínculos com a produtividade, fazendo sentir-se útil de alguma maneira. Sendo complementado pelo estudo, rende ainda mais, porque oferece horizontes antes não descortinados. Tudo isto feito sob condições de um regime de autoridade, capaz de estimular a produtividade e o desenvolvimento intelectual e cobrar, nos momentos difíceis, com firmeza, a responsabilidade, para que os próprios detentos se imponham regras de disciplina.

Claro que tudo isto, sozinho, não funciona. Vai ser preciso uma outra preparação: a da sociedade, para que, quando estes jovens estiverem prontos para a liberdade, sintam-se capazes de competir em igualdade num mercado de trabalho que já marginaliza de tantas formas, mais ainda quando se tem a marca de uma passagem pela cadeia.

Hoje, vemos iniciativas do governo e de grupos sociais que oferecem aos jovens espaços criativos e produtivos, onde podem gastar as energias próprias da idade. Mas há um segmento significativo destes jovens que encontrou no crime uma alternativa sedutora. Evitar é o caminho que ainda não encontramos. Quem sabe, passando por uma experiência dolorida, amadurecidos forçadamente, não possam alcançar a chance de alçar o seu próprio vôo para a liberdade.