Vencendo o cigarro


Estamos cercados por campanhas que combatem as drogas ilícitas, mas são raras as entidades que falam das drogas lícitas. É o caso da Universidade Católica de Pelotas ao desenvolver a campanha “UCPel mais saudável“, mostrando os problemas causados pelo cigarro, tanto para quem consome, quanto para aquele que se torna fumante passivo, além de fazer as pessoas perderem a noção de respeito pelo seu semelhante, jogando fumaça em todas as direções.

“A saúde é minha e faço dela o que eu quiser”, foi o que ouvi de um entrevistado sobre as campanhas contrárias ao tabagismo. Há dois problemas nesta frase: ela é “umbigocêntrica” (coloca o mundo ao redor do seu umbigo) e, nos casos em que o fumante começa a degenerar, faz com que sua família tenha que arcar com responsabilidades desnecessárias numa outra opção de vida. Foi mais inteligente outro depoimento ao falar dos benefícios que conseguira, quando largou o cigarro: “faço de cada dia da minha vida um novo dia para estar longe do vício. E sinto meu corpo revigorado, consigo fazer coisas que não fazia sem palpitação e cansaço. Hoje, recuperei os sentidos do gosto e do odor”.

Tanto entre alunos, quanto entre professores, pude ver a felicidade daqueles que, por conta própria, ou com auxílio, conseguiram ficar livres do tabagismo “apenas por um dia a mais”. E é assim mesmo que acontece. Como em qualquer outro vício, num primeiro momento é preciso passar pela desintoxicação e, em seguida, viver dia a dia com a graça de que se venceu apenas um dia, para poder vencer por toda uma vida.

Quando o professor Roni Quevedo pediu que eu falasse respeito, achei estranho, pois nunca prestara atenção ao assunto. Observando campanhas em meios de comunicação e perguntando a respeito, tive a noção da gravidade do problema. Embora seja uma droga menor, seus efeitos são maléficos para o corpo, assim como para as relações sociais: pois se passa a achar que a fumaça não causa problemas, que “ninguém tem nada que ver com isto”, que eu “largo quando quiser”, ou se sai furtivamente à rua para “um cigarrinho”...

A campanha está no caminho certo: faz bem à saúde do corpo, faz bem à higiene dos ambientes e libera energia. Energia que utilizada de outra forma pode render mais, quem sabe numa salutar experiência de viver livre de dependências, sentindo todos os gostos e odores oferecidos graciosamente pela natureza.