Vivendo perigosamente


O que aconteceu em Novo Hamburgo, onde um jovem confessou ter assassinado 12 pessoas, é preocupante e um sinal de alerta para quem trabalha com o processo educacional em família, através das religiões ou no ensino. No entanto, não é possível generalizações do tipo: “os jovens estão se tornando violentos e agressivos”. Dizer que está acontecendo com uma parcela é verdade e basta para que tenhamos que olhar com prudência sinais que estão por todas as regiões.

E quais são os sinais? Agressões de todo o tipo a educadores, colegas e mesmo aos responsáveis. Fiquemos apenas no caso dos professores: já tivemos problemas que causaram desde seqüelas físicas até a morte, como resultado de situações absolutamente frívolas. Mas também há outro indicativo que assusta – o de que aumenta entre os jovens o atentado contra a própria vida.

Somente pensa em suicídio quem está transtornado psiquicamente ou quem acredita que não há perspectiva para a sua vida, não restando mais nada a não ser dar um fim à sua existência. Quando presenciamos o suicídio de um adulto sentimos que uma vida se esvaiu porque não encontrou e não conseguimos ajudá-lo a encontrar um sentido. No entanto, ver isto acontecer a um jovem é desesperador!

As autoridades no assunto dizem que os sintomas de que há algum problema não aparecem de uma hora para a outra. Gradativamente, vão surgindo transtornos de humor, tendência ao isolamento e agressividades por questões banais. É hora de uma intervenção. No caso de Novo Hamburgo, a própria polícia poderia ter impedido a seqüência de mortes e não o fez por “um problema burocrático” - procedimentos legais que não foram cumpridos. Infelizmente, isto não é nenhuma novidade. Não é a primeira vez que as autoridades têm conhecimento e se julgam impedidas de tomar providências, restando à sociedade o sentimento de impunidade e de estar à mercê da sanha de desequilibrados e da violência daqueles que, não vendo mais sentido na vida, tiram a do outro por poucos reais.

Os sinais são evidentes: jovens à toa pelas ruas; consumindo álcool em bares e lugares públicos; colocando em risco suas vidas em pegas; formando gangues como forma de demonstrar poder e macheza. Um jeito duro de pedir socorro, pois estão andando no limiar entre o existir e o seu fim. Triste de se reconhecer, mas, mesmo que na relação com os outros tenha certo “charme”, o fazem em detrimentos de valores maiores como o da própria vida que é desprezada.