Vivendo perigosamente 2


Quando decidi falar a respeito das situações de risco que correm nossos jovens, mesmo aqueles que têm uma família supostamente organizada, não imaginava a repercussão que teria. Muitos e-mails extravasando a perplexidade diante do que vivemos, com as mãos atadas e, em alguns casos, incapazes de entender a “cultura” em que vivem nossos filhos.

Recebi da escritora Lígia: “O mundo está totalmente maluco! Acho que as rédeas estão soltas sem que seja possível retomá-las. Não é pessimismo, mas realidade! Às vezes me perco pensando onde está a ponta do novelo, o fio da meada. Até porque conheço famílias, pais dedicadíssimos, esmerados, que acabam vendo seus filhos envolvidos em situações escabrosas, indo parar na cadeia e a solução não aparece”.

A professora Firmina questiona: “Onde estão os adultos das famílias e das escolas que ajudaram esses jovens na infância e agora na adolescência? Eles não surgiram do nada. Que modelos tiveram para o seu desenvolvimento psicossocial? Onde estavam enquanto cresciam? É assustador, realmente.”

O contador Cláudio tem uma preocupação: “Eu, como pai, fico pensando até quando vão a impunidade e a falta de respeito das autoridades com as famílias que perdem filhos, sobrinhos, amigos e não podem fazer nada a não ser chorar a perda de seus entes queridos.” Em outro artigo, o Cláudio contou ter ficado perplexo: foi levar o filho e amigos a uma festa noturna, com a certeza de que todas as medidas de segurança haviam sido tomadas. Enganou-se: o perigo estava na própria festa, onde a cerveja era oferecida de graça, até para menores, e o refrigerante era cobrado! Não é um contra-senso?

Mas foi de uma pessoa angustiada o seguinte depoimento: “Passamos pela necessidade de internar um drogado e a dificuldade para fazê-lo. Uma pessoa que amamos enfrenta uma crise existencial, mora com familiares e há bastante tempo usa o álcool. Não estuda, nem trabalha e vive à custa da mãe. De uns tempos para cá inferniza a vida de todos: Precisa de grana! Os traficantes não o deixam em paz. Rouba o que pode. Os familiares cansaram e me procuraram. Fui às autoridades, que se mostraram solícita, mas cientes das dificuldades em internar pessoas com este problema. Insisti: receberam a mãe e prometeram chamá-los em audiência. Que pena, o sistema é falho. Não atende as necessidades básicas do cidadão. Ninguém é drogado por prazer. Assim começa. Mas e depois?”

Infelizmente, os depoimentos falam por si.