Voltando à praça


Em julho de 1959, quando chegamos a Pelotas, um dos bons passeios em família era, nos domingos à tarde, literalmente, passear na praça, mais especificamente, na praça Coronel Pedro Osório.

Tinha em torno de cinco anos e lembro, muito bem, do primeiro cavalinho de madeira que o fotógrafo (retratista?) exibia para atrair as crianças e eternizar imagens daquele aprazível lugar. Também lembro que, numa tarde de inverno, com meu casacãozinho bem apertado, olhava, encantado, para o chafariz, quando vi minha suposta mãe passando a meu lado. Segurei o seu casacão e segui. Quase do outro lado da praça foi que, ao olhar para cima, vi que olhos simpáticos e um sorriso maroto mostravam que eu havia seguido a mãe errada. A minha estava esperando, sentada num banco, rindo do meu descuido.

Muitos anos se passaram, inclusive do tempo em que trabalhei na Prefeitura e que, ao final do expediente, no verão, aproveitávamos para sentar em seus bancos e curtir uma “loira espumante”, aos pés do “deixa que eu pago”, que ninguém é de ferro.

Pois, agora, voltei pela segunda vez à praça, para lançar meu livro: em 2001, tive a alegria de partilhar Nos Braços do Eterno Descanso. Segundo a Bia Araújo, o livro mais vendido numa seção de autógrafos, naquele ano. Desta vez, sua continuação: Que Seja em Nome de Deus. Dando seqüência a uma trilogia de um grupo que tem uma revelação religiosa e aposta na espiritualidade, no serviço voluntário e na vivência comunitária.

Do primeiro, restaram muitos questionamentos, pois ainda é raro, entre nós, a chamada “ficção religiosa”. Não escapei dos rótulos que iam desde ser uma obra espírita, até o questionamento sobre valores religiosos propostos. Em primeiro lugar, tenho um profundo respeito pelo espiritismo, mas considero meu trabalho espiritualista. Em segundo, não pretendo entrar na discussão religiosa, ela não ajudaria em nada.

Quero, apenas, que as pessoas encontrem neste livro um pouco de consolo, se estiverem sofrendo; estímulo, se estiverem cansadas; e vontade de caminhar, quando tudo parece que impede a aproximação com os outros e com Deus.

Este é um livro que nasceu, em parte, de inspiração. Mas, também, em muito, tem depoimentos dados por aqueles que leram o primeiro, ou viveram experiências próximas. E quiseram partilha-las. Assim como eu estou fazendo agora.